Agrotóxicos são produtos químicos usados na lavoura, na pecuária e mesmo no ambiente doméstico: inseticidas, fungicidas, acaricidas, nematicidas, herbicidas, bactericidas, vermífugos; além de solventes, tintas, lubrificantes, produtos para limpeza e desinfecção de estábulos, etc.
Existem cerca de 15.000 formulações para 400 agrotóxicos diferentes, sendo que cerca de 8.000 formulações encontram-se licenciadas no País.
O uso indiscriminado de agrotóxicos ao longo dos anos tem provocado o acúmulo de resíduos de compostos químicos nocivos na água, no solo e no ar. É esse o resultado da alta dependência de insumos químicos usados no controle de pragas, doenças e invasoras nas lavouras para garantir índices de produtividade que proporcionem retorno econômico à atividade.
O Estado de São Paulo ocupa a 1a colocação no país no quesito consumidor de agrotóxicos. O mesmo acontece com a questão da produção: 80% dos agrotóxicos produzidos no país são fabricados no Estado de São Paulo. No país todo são aplicados, aproximadamente, 3,2 kg de ingredientes ativos de defensivos por hectare, o que o faz ocupar a décima posição em um ranking liderado pela Holanda, que consome aproximadamente 10 kg de agroquímicos por hectare. Há estudos em que o Brasil aparece n 5a colocação mundial.
A intensa e contínua contaminação dos recursos naturais e os riscos que as aplicações de agrotóxicos geram para a saúde humana e para a biodiversidade demandam a implementação de estratégias de conscientização da população e em especial dos agricultores sobre o perigo ambiental do uso indiscriminado de defensivos, em especial sobre os recursos hídricos.

Os impactos resultantes do uso de defensivos nos mananciais vêm sendo estudados pela Embrapa em linhas de pesquisas específicas, a exemplo da aplicação de programas computacionais que simulam o destino de um pesticida no solo mesmo antes de sua aplicação. Dessa forma, é possível prever se haverá contaminação dos recursos hídricos e como ocorre o processo, o que possibilita a definição de estratégias que minimizem a poluição.
Outra linha de trabalho que vem sendo desenvolvida pela Embrapa é o desenvolvimento de tecnologias de produção menos dependentes dos agrotóxicos, para a composição de sistemas de produção sustentáveis, com menor impacto ao meio ambiente. Uma das alternativas, segundo a Embrapa, seria a intensificação dos estudos de monitoramento de operações envolvendo agroquímicos potencialmente poluentes para que se estabeleçam estratégias de redução dos riscos de contaminação.
Resíduos
As culturas de soja, milho, citros e cana de açúcar consomem cerca de 66% do total de defensivos vendidos no País. A primeira é a responsável por 33% desse montante.
Os pesticidas são aplicados sobre as plantas ou diretamente no solo e mesmo quando direcionados aos vegetais cerca de 50% da dose utilizada pode ter como destino final o solo, em três formas principais de transporte: a volatização, a lixiviação e o escoamento superficial.
Estudo publicado no ano de 2000, envolvendo 10 países europeus, comprovou que de um total de 99 pesticidas monitorados, 48 estavam presentes na água da chuva. “Chamou atenção, em especial, o fato de que alguns desses agroquímicos detectados não eram utilizados nas áreas em que as amostras foram coletadas, revelando que esses compostos são transportados a grandes distâncias”.
O transporte vertical dos pesticidas no perfil do solo (lixiviação) tem sido apontado como a principal forma de contaminação do lençol freático (águas subterrâneas), juntamente com a água das chuvas ou de irrigação que desce pelo solo.
Segundo a Embrapa, a contaminação de rios e lagos ocorre, em grande parte, pelo escoamento superficial (água de enxurrada). Uma única chuva pode gerar perdas de até 2% da dose de agrotóxicos aplicada, segundo o pesquisador. A adoção do plantio direto na palha, em que há permanência constante de cobertura vegetal, reduz significativamente as enxurradas, mas o sistema é também altamente dependentes do uso de herbicidas.
No quadro seguinte são apresentadas as mais importantes culturas cultivadas na Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema.

Fonte de pesquisa: sigrh
Fonte de imagens: Google imagens
 
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